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sábado, 30 de abril de 2011

FATORES CONDICIONANTES E TAXA DE MORTALIDADE DE EMPRESAS DO MARANHÃO


RELATÓRIO DE PESQUISA
Novembro/2004

Apresentação

Este Relatório de Pesquisa é resultado de contrato celebrado com a Fundação
Universitária de Brasília – FUBRA, com o objetivo de realizar pesquisa amostral no
Estado do Maranhão, visando à identificação da taxa de mortalidade das empresas
de pequeno porte e os principais fatores condicionantes da mortalidade
empresarial. Cumpre ressaltar que trabalho semelhante foi realizado recentemente
para o Sebrae Nacional, tendo sido adotada nesta enquete a mesma metodologia.
O fechamento prematuro de empresas no país tem sido uma das preocupações da
sociedade, particularmente para as entidades que desenvolvem programas de apoio
ao segmento de pequeno porte, como é o caso do Sistema Sebrae. Por isso, é de
fundamental importância obter informações que propiciem identificar as causas das
elevadas taxas de mortalidade das empresas maranhenses, visando a atuação
coordenada e efetiva dos órgãos públicos e privados em prol da permanência maior
dos negócios em atividade.
Na primeira fase dos trabalhos apurou-se a taxa de mortalidade das empresas para
até quatro anos, contados do ano de constituição das mesmas. A segunda etapa
procurou identificar os fatores condicionantes dessa mortalidade, cotejando-se os
resultados de entrevistas realizadas junto aos estratos das empresas extintas e em
atividade, tendo sido identificadas algumas hipóteses para o desaparecimento
prematuro de boa parcela das empresas.
No que se refere às taxas de mortalidade, este relatório contempla avaliações da
situação no Estado do Maranhão para cada grupo de empresas - “Extintas” e
“Ativas”, sendo as mesmas, ainda, comparadas com os resultados apurados para o
Brasil e para as Regiões.
O critério utilizado para classificação do porte de empresas foi o adotado pelo
Sebrae, baseado no número de empregados: considera-se como microempresa
(ME) aquela com até 19 empregados na indústria e até 09 no comércio e no setor
de serviços; as pequenas empresas (PE) são as que possuem, na indústria, de 20 a
99 empregados e, no comércio e serviços, de 10 a 49 empregados; as médias
empresas (MDE) de 100 a 499 empregados na indústria e de 50 a 99 no comércio e
serviços. Por sua vez, a grande empresa (GE) é aquela com 500 ou mais
empregados na indústria e com 100 ou mais no comércio e no setor de serviços.

RESUMO EXECUTIVO
1. Introdução

Ter o seu próprio negócio tem sido o grande desejo de uma imensa parcela da
população economicamente ativa do Estado do Maranhão, na medida em que são
formalizadas, em média, 7 mil empresas por ano, conforme as estatísticas oficiais
do Departamento Nacional de Registro do Comercio – DNRC/MDIC. As causas mais
freqüentes que justificam esse interesse pela atividade empresarial são motivadas
pelo desejo de ter o próprio negócio e pela necessidade de aumentar renda e
melhorar de vida.
Entretanto, conforme estudo do Banco Mundial (Fazendo Negócios 2004), as
condições de vida das empresas comprovam que o ambiente para negócios no
Brasil é inóspito, comparado ao de outras nações. O estudo do conjunto de leis,
regulamentos e outras ramificações burocráticas, que formam o ciclo sobre o qual
as empresas nascem, vivem e morrem, mostra que a atividade empresarial no país
enfrenta uma combinação de fatores institucionais adversos à sua formalização e
sobrevivência no mercado de atuação.
A partir da contratação de serviços de consultoria especializada, o Sebrae/MA,
realizou no período de agosto a outubro/2004, rastreamento exaustivo de uma
amostra representativa de empresas constituídas e registradas na Junta Comercial
do Maranhão, nos anos de 2000, 2001 e 2002, com o objetivo de apurar a taxa de
mortalidade das empresas maranhenses, com uma margem de erro de 5 pontos
percentuais, e os fatores determinantes de sucesso e fracasso do empreendimento.

2. Taxa de mortalidade

A taxa de mortalidade empresarial apurada para o Estado revela que 64,4% das
empresas encerraram as atividades com até 02 (dois) anos de existência, 57,6%
com até 03 (três) anos e que 51,3% não sobrevivem além dos 04 (quatro) anos.
Cotejando-se essas taxas com aquelas levantadas para o resultado ponderado para
o Brasil, observa-se que as mesmas são levemente superiores nos anos de 2001 e
2002 e um pouco maior no ano de 2000. No que se refere às regiões, a taxa é
apenas inferior ao Sul do país em 2002 e 2001.

A título de ilustração, e para efeito comparativo com alguns países da Europa e da
América do Norte, como Canadá e Estados Unidos, tem-se que a alta taxa de
mortalidade empresarial no Brasil não é muito diferente da taxa de outros países,
resguardadas as diferenças em matéria de regulação do mercado de trabalho e de
produtos. Segundo dados da – Organização para a Cooperação e o

Desenvolvimento Econômico – OCDE (abril/2002), de 30 a 40% das novas
empresas européias não sobrevivem além dos dois primeiros anos e de 40 a 60%
não vão além de quatro anos. Nos Estados Unidos e no Canadá, o índice de
mortalidade de empresa também é elevado – de 20 a 40%, respectivamente, até
dois anos de existência, e de 40% a 60% com até 04 (quatro) anos.

3. Principais causas do encerramento das atividades empresariais

Diversas causas explicam o percentual elevado de insucesso das empresas
maranhenses e todas elas mostram que os principais motivos restringem-se às
habilidades gerenciais do empreendedor, haja vista que 29,6% dos
proprietários/administradores eram autônomos ou iniciaram os negócios sem
nenhuma experiência ou conhecimento do ramo (14,1%) e não procuraram por
qualquer tipo de auxílio ou consultoria para gerenciar o empreendimento (23,1%
das assinalações).

O contador, com 66,4% de indicações, é o profissional mais requisitado entre os
empresários que buscaram auxílio profissional para a condução dos negócios. No
entanto, há evidências de que as informações contábeis são, aparentemente, de
uso restrito para atender às exigências fiscais, sendo subutilizadas no processo de
tomada de decisão.
As principais razões da mortalidade empresarial no Maranhão, segundo os
proprietários/ administradores, concentram-se, entre outras, na falta de capital de
giro (58,7% das citações), falta de clientes (36,8%), concorrência acirrada (36,1%)
e problemas financeiros (33,8%).

Analisando essas razões a fundo e comparando com os fatores de sucesso
mencionados com maior freqüência - bom conhecimento do mercado (54,8% das
assinalações), boa estratégia de vendas (53,3%) e ter um bom administrador
(38,5%) – há elementos para supor que o fator que ameaça a sobrevivência das
empresas maranhenses reside na falta de dados consistentes para a tomada de
decisão.

Considerando que, no campo empresarial, a concorrência acirrada e recursos
escassos são componentes que ameaçam a longevidade dos empreendimentos, as
decisões não podem ser tomadas simplesmente na intuição dos gestores, mas num
conjunto de dados e informações confiáveis que racionalize o processo de tomada
de decisão, reduzindo o risco do investimento.

4. Custo social e econômico da mortalidade empresarial

Projetando-se as taxas de mortalidade de empresas maranhenses sobre o total de
empresas registradas no mesmo período (2000 a 2002) pode-se estimar o custo
social proveniente do encerramento das atividades econômicas no Estado do
Maranhão. Segundo os cálculos, estima-se o fechamento de 13.105 empresas nos
três anos e a extinção de milhares postos de ocupações, com a dispensa de
aproximadamente 48,5 mil pessoas, alimentando a economia informal e os índices
de desemprego no Estado.

Em termos de inversões na atividade econômica do Estado, para o funcionamento
dessas empresas estima-se que foram realizados investimentos da ordem de R$
172,2 milhões, que no transcorrer de quatro anos deixaram de produzir bens e
serviços, gerar impostos e distribuir renda.

A perda nominal da poupança pessoal/familiar dos empreendedores é outro fato
que merece destaque, na medida em que os recursos investidos na empresa são de
origem própria, segundo a maioria dos ex-proprietários (77% para investimento
fixo e 84% para capital de giro), ressaltando que o percentual de recuperação dos
recursos aplicados é de até 50%, conforme as assinalações dos respondentes
(75,5%).

5. Fatores para o sucesso da empresa

Os fatores determinantes de sucesso apontados pelos ex-proprietários podem ser
agrupados segundo três categorias:

i) Habilidades gerenciais;
ii) Capacidade empreendedora;
iii) Logística operacional.

Falta de capital próprio, erros de avaliação e despreparo dos empresários estão entre os fatores que mais contribuem para diminuir a probabilidade de sobrevivência da empresa. Assim é que, não obstantes
as habilidades naturais (criatividade, liderança, persistência, perseverança), os
atributos “bom conhecimento do mercado” e “boa estratégia de vendas” ocupam
maior destaque entre os condicionantes do sucesso empresarial.

6. Medidas de políticas públicas para apoio às MPE’s

Ambos os grupos defendem, em escala semelhante e como primordial para apoio
às MPE’s, medida de política pública que permita o oferecimento de crédito
preferencial ao segmento, isto é, com juros e prazos especiais (extintas - 70,2% e
ativas - 69,2%). A questão do tratamento diferenciado, exaustivamente apurado
em outras enquetes, é também requerido por ambos os segmentos, sendo mais
enfático para representantes de estabelecimentos extintos (45,5% contra 39,7%).
A questão financeira é antiga reclamação do segmento e, naturalmente, o governo
deve adotar políticas para viabilizar o acesso ao crédito de empresas menores.
Contudo, depreende-se dessa pesquisa que políticas públicas de apoio às empresas
de pequeno porte devem atuar, de forma coordenada, no sentido de fornecer ao
candidato a empresário treinamento em temas específicos relacionados com sua
atividade futura, como, por exemplo, investir mais em escolas de
empreendedorismo, como têm feito os países desenvolvidos. Não menos
importante, deve-se apoiar o empresário na suas análises sobre a viabilidade do
negócio, em particular em termos da existência de clientes para o seu produto ou
serviço e da escolha para localização da empresa.

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